segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

A consciência presa num corpo que não corresponde mais aos seus estímulos


Meu paizinho foi tomado pela depressão, aprisionado em seu próprio corpo sem poder se comunicar em razão do agravante de ele ser um homem muito simples do interior, analfabeto, que veio de uma realidade difícil onde o estudo não era prioridade que acabou o deixando preso sem palavras e sem sequer poder escrever seus pensamentos, medos e angústias. Eu só conseguia enxergar naqueles olhos expressivos a tristeza e assim ele foi murchando e ficando preso na sua mente perfeitamente normal, já que a doença não ataca as faculdades mentais. O que me entristece ainda mais é saber que ele tinha plena consciência dos seus sofrimentos e de que muitas vezes isso era agravado pela dificuldade em sua comunicação. Em relação aos efeitos psicossomáticos do caso dele, no agravamento de sua doença foi notório como a depressão deu resposta no seu corpo e seus sintomas foram se agravando, as complicações da doença ficando mais evidentes. Depois de muitas vezes visitando as emergências, às vezes passando a madrugada, chegou o dia da sua visita a emergência que se transformou em uma internação na qual ficou apenas dois dias já usando sonda, sem conseguir andar, bem calminho e quietinho, como se a vida estivesse se esvaindo aos poucos até o dia que não resistiu mais e descansou definitivamente. Descansou daquela vida que não lhe satisfazia mais, deixou aquele suplício que não era a vida que ele queria. E nós ficamos com a saudade que corrói e faz parte dos nossos dias desde então.
Por: Nina

Um comentário:

  1. Foi um momento muito triste, eu também percebi isso, a falta de comunicação fez ele ficar mais deprimido até porque era um bom conversador. Mas, sei que ele percebeu o amor de todos nos!.

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