quinta-feira, 26 de julho de 2018

Empatia


           
Eu passei parte do mês de junho e todo mês de julho sem escrever e nem ao menos selecionar matérias para o meu blog. Motivo: crises constantes de ansiedade e depressão. Passei por problemas emocionais ultimamente que foram gatilho para essas crises. Na verdade, tenho passado mais de um ano por alguns outros problemas de saúde que não me deixaram ficar melhor emocionalmente e essa crise atual me fez ficar esse período mais longo de todos que tive nesse período de um ano. A gente até consegue identificar o gatilho, mas sair das crises é bem mais complicado. Vocês devem estar pensando que estou bem melhor. Não, não me sinto assim, apenas tentando reagir pois do jeito que estou só sinto o chão se abrindo ainda mais por baixo dos meus pés e sei que as doenças mentais podem ser dolorosas traiçoeiras e perigosas.
Nesse período ouvi muito frases como: “Supera! Você tem que se esforçar, você não tenta! ” Quando ouvimos essas coisas de pessoas que não passam pelo mesmo problema é até compreensível, porém, quando pessoas que sofrem com problemas mentais também é no mínimo irritante. Ninguém sabe a dor do outro, ninguém sabe a força de cada um.  Descaracterizar essas dores não é nada aceitável, muito menos compreensível, principalmente para alguém que passa pelos mesmos problemas.
Ainda hoje, em um grupo de apoio à ansiosos, vi alguém falando com uma pessoa que estava passando pelos incômodos transtornos que os efeitos colaterais das medicações trazem para depressão, no caso. E essa pessoa já havia passado por vários problemas e já está bem melhor e começou a dizer para a outra pessoa que estava sofrendo os efeitos colaterais não estava tentando o suficiente. Isso me irritou muito. Eu fiquei pensando em como as pessoas acham que seus problemas são os piores do mundo, mas não tem empatia com os problemas dos outros. Acham que podem medir as dores dos outros pelas suas, que podem desrespeitar o sentimento do outro, sendo insensíveis e até cruéis. Cada mundo deve ser tocado com muito cuidado e respeito pois ninguém sabe o que o outro está passando. Devemos tentar sempre exercer a pratica de nos colocar no lugar do outro e pensar sempre “Poxa, eu superei, que legal! Mas não vou menosprezar a dor do outro”. A vida já é tão difícil, o mundo já está tão sem amor, sem respeito, tão violento, e as pessoas que já passaram por grandes sofrimentos e foram obrigadas a passar por modificações por conta das dores não conseguem entender isso e serem os primeiros a tentar mudar e passar adiante um pouquinho de solidariedade e respeito.
Por: Nina

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