Não é possível
alguém vir a um blog de uma pessoa que sofre depressão crônica querer ler coisas
positivas ou bem-humoradas, pois não acontecerá. A doença já nos faz ver as
coisas por um ângulo muito negativo. Convivo com a depressão a tantos anos que
já não sei se tenho a doença ou ela me tem.
Alguns
psiquiatras e psicólogos dizem que a depressão tem cura, já outros que não. Dizem
que aprendemos a conviver com os sintomas e crises e, enquanto isso não se
chega a nenhuma questão concreta sobre o que acontece comigo e com algumas
pessoas que se identificam com minhas histórias, sintomas e etc. Houve um tempo que passei muito bem, mas ainda
sendo acertada pelos famosos e incompreendidos gatilhos, que muita gente não
entende muito bem.
Uma coisa que
aprendi nos meus anos de terapia é que devemos assumir a responsabilidades
sobre nossos atos, mas como convivemos em sociedade e inseridos em uma família,
logo as atitudes dessas pessoas afetam quem tem depressão e não são todas as pessoas
que se importam, se existe preconceito dentro da nossa família, imagine entre
alguns amigos e na sociedade então, nem se fala.... Isso é algo desesperador! Você
conviver com o medo de julgamentos, de rótulos, porque você tem uma pessoa que convive
a vida toda com você e quando você assume ter depressão esse rótulo pesa uma tonelada,
pois elas passam a te tratar diferente, é como se nós tivéssemos algo
contagioso. A questão toda é que a depressão não é visível, não é como ter
diabetes, hipertensão que se você não tratar pode levar a outros tipos de
doenças e agravar a própria doença e aí está o engano de quem acha que por não
sentir o que a pessoa com depressão sente, você achar que a doença não pode
levar a nada, mas a depressão pode levar direto a morte, já que as estatísticas
dizem que: “O suicídio ao redor do mundo
está em queda, mas o Brasil aparece na contramão desses dados. O suicídio está
crescendo no País, principalmente entre os jovens. Hoje, um brasileiro se
suicida a cada 46 minutos. Ao ano, em média 11 mil pessoas tiram a vida no País”.
Isso é muito sério!
E muita gente parece que empurra algumas pessoas pra esse caminho...sei que
algumas inconscientemente, outras por pura ignorância e fora aquelas que não têm
empatia, acham que só a religião delas vai te libertar, ou seja, aquele clichê
de que depressão é falta de Deus. Outros, porém, acham que é falta de
positividade, é algo que você assumiu porque gosta (como se sofrer, sentir uma
dor na alma, fizesse algum sentido para valer uma farsa).
E a pesquisa
sobre o assunto diz mais: “A pesquisa
mostra que uma em cada quatro pessoas já pensou em se matar durante a
adolescência. Além disso, a pesquisa concluiu que ainda existe muita falta de
informação sobre a depressão, bem como muita vergonha do diagnóstico, do
tratamento, de procurar ajuda e das pessoas descobrirem sobre a doença. Dessa
forma, a depressão ainda é vista como um tabu e pode levar ao suicídio quando
não tratada”. Então, se informar é uma questão básica e essa informação tem
que vir sem nenhum tipo de tabu como, religião, julgamentos e preconceitos, porque
só assim o conhecimento pode ser finalmente atingido plenamente, já que
opiniões preestabelecidas sobre um assunto que não se domina podem ser
ariscadas, pois você pode deixar de estar ajudando alguém. A diretora-médica da
Pfizer Brasil, Dra. Márjorie Dulcine, afirma que “o suicídio deve ser visto como um caso de saúde pública. Dessa forma,
devemos falar sobre a saúde mental para virar o jogo contra a doença”.
Durante a
pandemia tudo isso está muito latente e quando não temos apoio da família tudo
fica muito mais difícil. Melhorar pelo nosso bem, ser alguém melhor pelo outro
e sentir empatia é algo possível que faz bem a todos porque não só para vida da
pessoa que sofre com a depressão, mas isso atinge a todos ao redor. Se a
família se envolvesse mais com amor e empatia traria muito mais qualidade de
vida para a pessoa com depressão e todas as pessoas ao entorno. Quando não
temos isso, o vazio é bem maior, chega a ser insuportável, mas as pessoas só
estão preocupadas com suas próprias vidas e muitas vezes nos fazem sentir usadas,
pois chegamos a pensar coisas como: “não lembra de mim em momento nenhum, nem
pergunta se estou bem e agora que precisa de algo, lembrou?!?”. É frustrante,
decepcionante e também é um gatilho para nós.
Infelizmente vemos essas situações de pessoas próximas que nos fazem
pensar que a humanidade está se transformando para pior, já que da família
esperamos apoio e acolhimento e as vezes não temos, imagine a sociedade num
todo.
Eu sei que
quero crescer como pessoa a cada dia, quero ser hoje melhor do que ontem. E se
por algum motivo minhas reações não condizem com o que falo, é importante dizer
que as relações são vias de mão dupla e devem ser recíprocas. Não posso
insistir em relações com pessoas que não aceitam meu problema, não têm empatia
e se tornam tóxicas, acionam gatilhos que só me deixam mal. É triste, é
lamentável, dói muito, mas é um modo de defesa que precisamos desenvolver e
acionar.
Por: Nina

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