terça-feira, 14 de julho de 2020

DEPRESSÃO TAMBÉM É DOENÇA


Não é possível alguém vir a um blog de uma pessoa que sofre depressão crônica querer ler coisas positivas ou bem-humoradas, pois não acontecerá. A doença já nos faz ver as coisas por um ângulo muito negativo. Convivo com a depressão a tantos anos que já não sei se tenho a doença ou ela me tem.
Alguns psiquiatras e psicólogos dizem que a depressão tem cura, já outros que não. Dizem que aprendemos a conviver com os sintomas e crises e, enquanto isso não se chega a nenhuma questão concreta sobre o que acontece comigo e com algumas pessoas que se identificam com minhas histórias, sintomas e etc.  Houve um tempo que passei muito bem, mas ainda sendo acertada pelos famosos e incompreendidos gatilhos, que muita gente não entende muito bem.
Uma coisa que aprendi nos meus anos de terapia é que devemos assumir a responsabilidades sobre nossos atos, mas como convivemos em sociedade e inseridos em uma família, logo as atitudes dessas pessoas afetam quem tem depressão e não são todas as pessoas que se importam, se existe preconceito dentro da nossa família, imagine entre alguns amigos e na sociedade então, nem se fala.... Isso é algo desesperador! Você conviver com o medo de julgamentos, de rótulos, porque você tem uma pessoa que convive a vida toda com você e quando você assume ter depressão esse rótulo pesa uma tonelada, pois elas passam a te tratar diferente, é como se nós tivéssemos algo contagioso. A questão toda é que a depressão não é visível, não é como ter diabetes, hipertensão que se você não tratar pode levar a outros tipos de doenças e agravar a própria doença e aí está o engano de quem acha que por não sentir o que a pessoa com depressão sente, você achar que a doença não pode levar a nada, mas a depressão pode levar direto a morte, já que as estatísticas dizem que: “O suicídio ao redor do mundo está em queda, mas o Brasil aparece na contramão desses dados. O suicídio está crescendo no País, principalmente entre os jovens. Hoje, um brasileiro se suicida a cada 46 minutos. Ao ano, em média 11 mil pessoas tiram a vida no País”.
Isso é muito sério! E muita gente parece que empurra algumas pessoas pra esse caminho...sei que algumas inconscientemente, outras por pura ignorância e fora aquelas que não têm empatia, acham que só a religião delas vai te libertar, ou seja, aquele clichê de que depressão é falta de Deus. Outros, porém, acham que é falta de positividade, é algo que você assumiu porque gosta (como se sofrer, sentir uma dor na alma, fizesse algum sentido para valer uma farsa).
E a pesquisa sobre o assunto diz mais: “A pesquisa mostra que uma em cada quatro pessoas já pensou em se matar durante a adolescência. Além disso, a pesquisa concluiu que ainda existe muita falta de informação sobre a depressão, bem como muita vergonha do diagnóstico, do tratamento, de procurar ajuda e das pessoas descobrirem sobre a doença. Dessa forma, a depressão ainda é vista como um tabu e pode levar ao suicídio quando não tratada”. Então, se informar é uma questão básica e essa informação tem que vir sem nenhum tipo de tabu como, religião, julgamentos e preconceitos, porque só assim o conhecimento pode ser finalmente atingido plenamente, já que opiniões preestabelecidas sobre um assunto que não se domina podem ser ariscadas, pois você pode deixar de estar ajudando alguém. A diretora-médica da Pfizer Brasil, Dra. Márjorie Dulcine, afirma que “o suicídio deve ser visto como um caso de saúde pública. Dessa forma, devemos falar sobre a saúde mental para virar o jogo contra a doença”.
Durante a pandemia tudo isso está muito latente e quando não temos apoio da família tudo fica muito mais difícil. Melhorar pelo nosso bem, ser alguém melhor pelo outro e sentir empatia é algo possível que faz bem a todos porque não só para vida da pessoa que sofre com a depressão, mas isso atinge a todos ao redor. Se a família se envolvesse mais com amor e empatia traria muito mais qualidade de vida para a pessoa com depressão e todas as pessoas ao entorno. Quando não temos isso, o vazio é bem maior, chega a ser insuportável, mas as pessoas só estão preocupadas com suas próprias vidas e muitas vezes nos fazem sentir usadas, pois chegamos a pensar coisas como: “não lembra de mim em momento nenhum, nem pergunta se estou bem e agora que precisa de algo, lembrou?!?”. É frustrante, decepcionante e também é um gatilho para nós.  Infelizmente vemos essas situações de pessoas próximas que nos fazem pensar que a humanidade está se transformando para pior, já que da família esperamos apoio e acolhimento e as vezes não temos, imagine a sociedade num todo.
Eu sei que quero crescer como pessoa a cada dia, quero ser hoje melhor do que ontem. E se por algum motivo minhas reações não condizem com o que falo, é importante dizer que as relações são vias de mão dupla e devem ser recíprocas. Não posso insistir em relações com pessoas que não aceitam meu problema, não têm empatia e se tornam tóxicas, acionam gatilhos que só me deixam mal. É triste, é lamentável, dói muito, mas é um modo de defesa que precisamos desenvolver e acionar.

Por: Nina

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