sexta-feira, 14 de agosto de 2020

EM MEIO A PANDEMIA E AS RELAÇÕES HUMANAS TUDO PODE SER UM GATILHO


Uma coisa que aprendi com meus problemas emocionais (e com a maturidade também, é claro) foi a ser uma pessoa mais solidária e empática. No Brasil, já ultrapassamos a faixa de cem mil mortos pela COVID-19, vivendo uma pandemia minada por falhas na administração da saúde do pais, na ignorância e teimosia das pessoas para seguir as recomendações da OMS e etc. Assistir a tudo isso na televisão, em um momento de incertezas e medos, trazia uma ansiedade muito grande a princípio, por todos esses fatores que citei, e por sabermos que a atitude de alguns refletia no outro. Se por um lado vimos uma corrente de solidariedade, por outro vimos uma outra de Fake News, de ignorância, de falta de solidariedade e empatia, e a arrogância das pessoas ao lidar com a situação toda.
A ansiedade não é só aquela que erroneamente chamamos assim pura e simplesmente, mas sim aquela agonizante, de falta de ar, de pensamentos negativos e catastróficos, de medo, de aumento da dose de ansiolítico, tudo isso acompanhado de psiquiatra e terapeuta uma vez por semana. Imagine as pessoas que tem esse problema e não tem esse suporte para não surtar de verdade. Aí vinha também o lado da depressão, da tristeza prolongada, da falta de esperança, da vontade de chorar sem motivo aparente, e então, quando chegaram as primeiras notícias de amigos infectados, pessoas amigas e conhecidas falecendo, ia dando o desespero e o choro de fato vinha, e muito fácil.
No dia que atingimos os cem mil mortos por COVID-19 foi um dia que me deixou especialmente triste, em razão deste número absurdo de vidas perdidas, por saber que se a pandemia tivesse sido levada a sério pelo Governo Federal e medidas mais eficazes tivessem sido tomadas, teriam sido poupadas muitas vidas. E ainda mais por pensar o quão doloroso isso está sendo para essas famílias, principalmente por não poderem velar seus entes queridos. Eu particularmente sou uma pessoa que sinto gatilhos com este tipo de coisa, pois tenho traumas com mortes, eu não sei lidar muito bem com a morte. Ainda não sei a razão disto, mas vou descobrir com minha terapia. Mas por esses motivos, essas notícias me deixam profundamente mal, chorosa e sensível.
A questão da empatia que falei no início está ligada também a, por exemplo, ver uma pessoa que gosto muito mal e chorando. Essas situações também me deixam muito mal, sinto logo vontade de chorar, de não fazer nada, e não é nada de preguiça – obviamente, mas é sempre bom deixar claro - é uma falta de energia, uma sensação de que nada vale a pena. Vem uma sensação tão ruim de desesperança, principalmente quando mesmo você querendo ser solidário as pessoas as vezes não aceitam, talvez por não ter o hábito de que as pessoas ajam assim com elas, talvez por sua criação – mesmo que eu ache nesse sentido podemos melhorar, pois a minha também não foi nada assim – e daí volta o lado ansioso e sua mente vem pregar peças, pensando no que pode ter acontecido, se aconteceu alguma desgraça. É torturante! É aquela coisa de que: “se correr bicho pega, se ficar o bicho come”, uma situação muito desgastante.
Enfim, a questão é que devemos tentar praticar mais os melhores sentimentos, isso é bom para nós e reflete nos outros. Esse mundo já está muito difícil, cheio de ódio e desunião. Vamos tentar fazer nossa parte, mesmo que seja uma gotinha no oceano desse mundo desequilibrado e egoísta. Vamos sempre tentar ser pessoas melhores cada dia, fazer a nossa parte, pois isso já ajuda muito nas relações e na sociedade. E sei que sigo aqui, todos os dias, tentando controlar meus sentimentos e minha montanha russa.


Por: Nina

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