Uma coisa que
aprendi com meus problemas emocionais (e com a maturidade também, é claro) foi a
ser uma pessoa mais solidária e empática. No Brasil, já ultrapassamos a faixa
de cem mil mortos pela COVID-19, vivendo uma pandemia minada por falhas na administração
da saúde do pais, na ignorância e teimosia das pessoas para seguir as
recomendações da OMS e etc. Assistir a tudo isso na televisão, em um momento de
incertezas e medos, trazia uma ansiedade muito grande a princípio, por todos
esses fatores que citei, e por sabermos que a atitude de alguns refletia no
outro. Se por um lado vimos uma corrente de solidariedade, por outro vimos uma
outra de Fake News, de ignorância, de falta de solidariedade e empatia, e a
arrogância das pessoas ao lidar com a situação toda.
A ansiedade
não é só aquela que erroneamente chamamos assim pura e simplesmente, mas sim
aquela agonizante, de falta de ar, de pensamentos negativos e catastróficos, de
medo, de aumento da dose de ansiolítico, tudo isso acompanhado de psiquiatra e
terapeuta uma vez por semana. Imagine as pessoas que tem esse problema e não
tem esse suporte para não surtar de verdade. Aí vinha também o lado da
depressão, da tristeza prolongada, da falta de esperança, da vontade de chorar
sem motivo aparente, e então, quando chegaram as primeiras notícias de amigos infectados,
pessoas amigas e conhecidas falecendo, ia dando o desespero e o choro de fato
vinha, e muito fácil.
No dia que
atingimos os cem mil mortos por COVID-19 foi um dia que me deixou especialmente
triste, em razão deste número absurdo de vidas perdidas, por saber que se a
pandemia tivesse sido levada a sério pelo Governo Federal e medidas mais
eficazes tivessem sido tomadas, teriam sido poupadas muitas vidas. E ainda mais
por pensar o quão doloroso isso está sendo para essas famílias, principalmente
por não poderem velar seus entes queridos. Eu particularmente sou uma pessoa
que sinto gatilhos com este tipo de coisa, pois tenho traumas com mortes, eu
não sei lidar muito bem com a morte. Ainda não sei a razão disto, mas vou
descobrir com minha terapia. Mas por esses motivos, essas notícias me deixam
profundamente mal, chorosa e sensível.
A questão da
empatia que falei no início está ligada também a, por exemplo, ver uma pessoa
que gosto muito mal e chorando. Essas situações também me deixam muito mal,
sinto logo vontade de chorar, de não fazer nada, e não é nada de preguiça –
obviamente, mas é sempre bom deixar claro - é uma falta de energia, uma sensação
de que nada vale a pena. Vem uma sensação tão ruim de desesperança,
principalmente quando mesmo você querendo ser solidário as pessoas as vezes não
aceitam, talvez por não ter o hábito de que as pessoas ajam assim com elas,
talvez por sua criação – mesmo que eu ache nesse sentido podemos melhorar, pois
a minha também não foi nada assim – e daí volta o lado ansioso e sua mente vem pregar
peças, pensando no que pode ter acontecido, se aconteceu alguma desgraça. É
torturante! É aquela coisa de que: “se correr bicho pega, se ficar o bicho
come”, uma situação muito desgastante.
Enfim, a
questão é que devemos tentar praticar mais os melhores sentimentos, isso é bom para
nós e reflete nos outros. Esse mundo já está muito difícil, cheio de ódio e
desunião. Vamos tentar fazer nossa parte, mesmo que seja uma gotinha no oceano
desse mundo desequilibrado e egoísta. Vamos sempre tentar ser pessoas melhores
cada dia, fazer a nossa parte, pois isso já ajuda muito nas relações e na sociedade.
E sei que sigo aqui, todos os dias, tentando controlar meus sentimentos e minha
montanha russa.
Por: Nina

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