segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

A rede de apoio

 

           A pandemia trouxe à tona a realidade sobre quem realmente as pessoas são. As que são cheias de empatia, amor trazem essa mesma dinâmica até aqui. Agora também existem aquelas que são orgulhosas demais, egoístas, incapazes de estender a mão para o seu próximo, estou dizendo as pessoas realmente mais próximas.

Os seus valores são invertidos, suas atitudes de ajuda
muitas vezes não passam de além deles próprios. Quando você sofre com ansiedade e depressão precisa de apoio de familiares e amigos e na psicologia se fala sobre ter uma rede de apoio que é exatamente sobre essa rede ser formada por familiares.

Só que essa rede de apoio não funciona se os membros da família e amigos não quiserem ser essa rede de apoio, e o paciente tem que ainda passar pelo desgaste emocional de ter que convencer as pessoas de que ela é uma pessoa que está em tratamento e precisa dessa rede de apoio.

O poucos seres humanos são altruístas de verdade para se dar sem receber e se você é uma pessoa com problemas emocionais certamente não irá se doar, ou irá muito pouco, pois, essa pessoa não está bem, se estivesse certamente não estaria em tratamento e ainda tem mais um agravante muitas pessoas com esses problemas emocionais têm mau-humor, ficam irritadiças, e alguns problemas emocionais ainda fazem a pessoa ter sentimentos ainda mais conturbados e muito mais difícil de lidar, um desses é personalidade borderline, assim como as pessoas com depressão, ansiedade, etc.

Nessa vida já me chamaram de tudo que se pode imaginar, louca, neurótica, desequilibrada, vitimista e que eu queria chamar atenção. Algumas pessoas devem pensar que essas palavras eu deva ter escutado de pessoas estranhas. Não foram pessoas estranhas, foram as pessoas mais próximas de mim, as pessoas que deveriam ser minha rede de apoio, as pessoas que deveriam acolher, dar amor, se fazer presente. Mas não! Algumas das pessoas da minha família eu nunca esperava ouvir tais coisas.

Lembro que cada pessoa dessas deixou uma ferida aqui no meu peito, já perdoei, mas não esqueci, talvez alguns eu nunca esqueça. Por exemplo, a pessoa que disse que eu queria chamar atenção, eu nem acreditei que estava ouvindo isso. Você mensura estar em uma depressão de meses vivendo como um zumbi, pensando em suicídio e o seu companheiro te dizer isso? É de a gente ficar perplexa em imaginar que tão cabeça pode pensar uma coisa dessas de alguém que está doente, que foi diagnosticada por um médico, a muitos anos, diga-se de passagem, que já trocou vários médicos e todos deram o mesmo diagnostico. Eu tomando vários tipos de remédios para a depressão, ansiedade, para dormir, fazer terapia semanalmente religiosamente e ainda ser levantada essa hipótese.

Se eu tivesse nessa posição eu ficaria com vergonha de ter pensado isso. A gente precisa ser mais responsável com o que fala e ter mais responsabilidade afetiva. E não é pela pessoa ter depressão e sim deveria ter mais responsabilidade afetiva com qualquer pessoa.

Se a gente não conhece bem a respeito de uma doença por isso não sabe como lidar com ela, que a gente se informe então. A internet está aí para isso, para facilitar a informação. Lembro quando meu pai foi diagnosticado com ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) era uma doença muito pouco falada, eu mesma não conhecia, mas fui pesquisar na internet e fiz uma pesquisa minuciosa a qual me assustou muito, mas foi tudo que eu precisava para acompanhá-lo aos médicos fazer as perguntas certas e tentar contribuir da melhor forma possível.

Certas doenças assustam sim, às vezes a gente nem sabe mesmo como lidar, mas a informação é a melhor arma para não cometer essas atitudes, que são até desumanas. Pois, quando você passa a pensar em suicídio acredito que você chegou no ápice da dor, é uma dor indescritível. E não me atrevo a desejar que nem a criatura mais vã possa sentir isso, pois, só sabe quem passa por isso.

Quando os amigos não fazem questão de ser sua rede de apoio é por que, na verdade, a amizade já fracassou, não que alguém seja obrigado a isso, claro que não! Mas a empatia a gente tem por qualquer pessoa que assim esteja precisando ou realmente a humanidade falhou.

Agora a família não ser essa rede de apoio é por que algo está muito estranho nessas relações que precisa ser revisto. Quando a família não dá esse apoio os membros dessa família também estão adoecidos e provavelmente precisam de terapia, pois, empatia se tem até com estranhos.

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