A descrição de como nos sentimos
com a depressão é muito estranha, difícil de compreender. Ela vem e se aloja
devagar, muitas vezes não querendo mais ir embora. As sensações de desespero,
falta de esperança, uma tristeza que vem rasgando a alma e a vontade de chorar
é constante, choramos até lendo uma receita de bolo. Isso quando não sentimos
uma crise de choro incontrolável que vem rasgando tudo, uma dor tão física que
as vezes temos impressão de estarmos sentindo um ataque cardíaco, essa dor que
muitas vezes chega a ser insuportável, também muitas vezes se aloja tirando a
paz e dando uma sensação que jamais irá embora.
Aí ouvimos aquelas coisas como: “Por
que isso?” “É falta de Deus”, “Tenta superar”, “Não chora”, “É frescura”. É bem
obvio que se soubéssemos todas essas respostas e controlar essa dor não
optaríamos por ela, pois ela dói tanto que a impressão é que a piores doenças
físicas não se comparam (claro que é apenas uma impressão pois tenho ciência de
doenças devastadoras, sem cura e que não temos como realmente comparar nenhuma
dessas delas entre si). Os momentos de desespero e dor só quem sente sabe como
é. Podemos chorar pelo motivo mais besta ou por motivo nenhum. O que piora
ainda mais a nossa dor é o fato de sermos julgados, incompreendidos e as
pessoas mais próximas não entenderem que nesse momento não estamos bem para lidar
com problemas de natureza nenhuma. Não é fraqueza, simplesmente já estamos
sofrendo muito, uma dor indescritível que qualquer outro problema nesse momento
não é bem processado, torna-se um gigantesco acumulo dessa dor, que somando com
as dores provenientes da depressão só pioram a nossa existência.
A sensação de solidão é um caso à
parte. A gente pode ter a companhia de familiares, amigos, mas essa solidão às
vezes só é preenchida nesse curto período de convivência com essas pessoas pois
depois a solidão vem acabando com tudo, e mesmo junto de quem amamos essa
solidão não nos abandona.
Sabemos que o único capaz de nos
fazer sair dessa situação somos nós mesmos, mas a desesperança faz morada em
nós e uma busca profissional é necessária mesmo que pareça que nem essa ajuda
dê resultado de vez em quando, restando apenas sofrer até descobrir o que
trouxe esse sofrimento à tona e chorar, chorar para expurgar essas dores e voltar
a se sentir melhor, sentir-se plena, a lidar com a vida suportando as suas
dores e perdas sem que isso lhe tire o prumo, o chão, parar de dar trabalho
para as pessoas que cuidam de nós nesses momentos. Sentir que a vida voltou a
ser vivida plenamente sem sentir esse gosto amargo na boca e essa falta de
coragem de viver, de reagir. O que espero nesse momento da vida é que tudo
passe logo, que eu sinta vontade de estar por aqui ainda, e ter novamente os
momentos de felicidade e força para superar tudo isso.
Por: Nina.
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