terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Como sinto a depressão...



       A descrição de como nos sentimos com a depressão é muito estranha, difícil de compreender. Ela vem e se aloja devagar, muitas vezes não querendo mais ir embora. As sensações de desespero, falta de esperança, uma tristeza que vem rasgando a alma e a vontade de chorar é constante, choramos até lendo uma receita de bolo. Isso quando não sentimos uma crise de choro incontrolável que vem rasgando tudo, uma dor tão física que as vezes temos impressão de estarmos sentindo um ataque cardíaco, essa dor que muitas vezes chega a ser insuportável, também muitas vezes se aloja tirando a paz e dando uma sensação que jamais irá embora.
Aí ouvimos aquelas coisas como: “Por que isso?” “É falta de Deus”, “Tenta superar”, “Não chora”, “É frescura”. É bem obvio que se soubéssemos todas essas respostas e controlar essa dor não optaríamos por ela, pois ela dói tanto que a impressão é que a piores doenças físicas não se comparam (claro que é apenas uma impressão pois tenho ciência de doenças devastadoras, sem cura e que não temos como realmente comparar nenhuma dessas delas entre si). Os momentos de desespero e dor só quem sente sabe como é. Podemos chorar pelo motivo mais besta ou por motivo nenhum. O que piora ainda mais a nossa dor é o fato de sermos julgados, incompreendidos e as pessoas mais próximas não entenderem que nesse momento não estamos bem para lidar com problemas de natureza nenhuma. Não é fraqueza, simplesmente já estamos sofrendo muito, uma dor indescritível que qualquer outro problema nesse momento não é bem processado, torna-se um gigantesco acumulo dessa dor, que somando com as dores provenientes da depressão só pioram a nossa existência.
A sensação de solidão é um caso à parte. A gente pode ter a companhia de familiares, amigos, mas essa solidão às vezes só é preenchida nesse curto período de convivência com essas pessoas pois depois a solidão vem acabando com tudo, e mesmo junto de quem amamos essa solidão não nos abandona.
Sabemos que o único capaz de nos fazer sair dessa situação somos nós mesmos, mas a desesperança faz morada em nós e uma busca profissional é necessária mesmo que pareça que nem essa ajuda dê resultado de vez em quando, restando apenas sofrer até descobrir o que trouxe esse sofrimento à tona e chorar, chorar para expurgar essas dores e voltar a se sentir melhor, sentir-se plena, a lidar com a vida suportando as suas dores e perdas sem que isso lhe tire o prumo, o chão, parar de dar trabalho para as pessoas que cuidam de nós nesses momentos. Sentir que a vida voltou a ser vivida plenamente sem sentir esse gosto amargo na boca e essa falta de coragem de viver, de reagir. O que espero nesse momento da vida é que tudo passe logo, que eu sinta vontade de estar por aqui ainda, e ter novamente os momentos de felicidade e força para superar tudo isso.
Por: Nina.

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