terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Um pouco de mim,


      Sofro com problemas psicológicos há muitos anos. Fui diagnosticada erroneamente com transtorno bipolar há uns doze anos atrás. Primeiro tive um grande impacto e sofri com o diagnóstico, mas meu maior objetivo era tentar ficar melhor possível, e outra coisa foi resolver deixar esse segredo apenas com minha família, nem mesmo meus amigos não sabiam, pois, um dos medos de quem sofre esses problemas é o fato das pessoas julgarem e demonstrarem preconceito, já que se na própria família passamos por isso, o que se pode esperar de pessoas de fora do círculo familiar? Passei por algumas dores e traumas em minha vida que contribuíram para que eu chegasse a esse estado emocional. Já tive crises de pânico de ficar paralisada no meio da rua no mesmo lugar e só sair de lá após o meu marido me buscar, as pessoas que passam por isso ou já passaram sabem exatamente do que estou falando, umas das piores partes sendo quando você às vezes sente vontade de contar para um amigo, mas tem medo desse amigo contar para o seu melhor amigo e assim se estabelecer um círculo de “disse me disse”, e com a preocupação de sermos julgados ficamos sofrendo sós ou quase sós pois os seus familiares estão seguindo suas vidas e nós ficamos estagnados reféns de um problema que muitas vezes paralisa mesmo!
      Voltando ao assunto da descoberta da doença, a primeira médica que fez o meu diagnóstico teve que se afastar para um doutorado, então passei para uma médica do meu plano de saúde. Ao chegar com ela e dizer qual era o meu diagnóstico, ela simplesmente o aceitou sem sequer me avaliar a fundo e fazer qualquer nova avaliação. Me medicou para o mesmo problema, passei alguns meses com ela e conversando com minha psicóloga falei sobre minha insatisfação com esta médica e ela me encaminhou a outra, que apesar de permanecer com o mesmo diagnóstico, pelo menos era mais prestativa, e atenciosa. Hoje estou com outro médico porque tive que receber alta do local público que me tratava que tinha um tempo máximo para permanecer. Este novo médico à princípio acolheu o diagnóstico da última medica que tinha recebido pela minha boca. Porém ele teve um diferencial importante: chamou meu marido e filha, conversou com ambos e me fez uma nova avaliação. No fim das contas eu não era bipolar, depois de carregar esse fardo por anos. Senti um alívio, que parecia que tinham retirado um elefante das minhas costas. Para título de esclarecimento, um dos fatores primordiais para a derrubada desse diagnóstico foi o fato de eu não ter episódios de manias e nunca ter tido uma crise grave que precisasse de internação. Isso foi crucial para derrubar esse diagnóstico.       Sofro de depressão e ansiedade e apesar de não ser nada bom, pelo menos as pessoas não se preocupam de você fazer uma besteira a qualquer instante. O fardo se torna mais leve, mesmo não deixando de ser um fardo, principalmente quando lidamos com pessoas ignorantes que não entendem e julgam.
     O mais importante de toda essa minha história é o fato de que se você recebe um diagnóstico, principalmente de doenças graves e difíceis de lidar, é bom procurar sempre uma segunda opinião. Isso é muito importante e nos livra de algumas dores de cabeça. Outro fator importante é: depois da doença devidamente diagnosticada nunca abandone seu tratamento, seja lá qual for o motivo, ou por que pensa que já melhorou, ou por falta de apoio da família mesmo. Só saia do tratamento depois da pela alta medica. Não misture bebidas alcoólicas com a medicação não é uma boa ideia, pois os efeitos podem ser catastróficos. Procure sempre ser gentil, tratar bem as pessoas você não sabe dos problemas, dores, ou o peso de sua cruz. “Quando encontrar um ser humano seja apenas outro ser humano”. Também nunca deixar de lado o tratamento psicológico. Ele é bom e essencial para pessoas diagnosticadas com doenças psicológicas ou não.

Por: Nina

4 comentários:

  1. Compartilhar a vivência de uma doença dita da alma é muito importante para quem sofre da doença e para as demais que também sofrem com tal infortúnio
    , saber o que outras pessoas passam pode ser uma via para alívio da angustia e dores. Parabéns pela iniciativa!

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  2. A comunicação escrita é uma excelente ferramenta pra organização dos pensamentos e das emoções. Escrever sobre si e/ou compartilhar o que outras pessoas escreveram, ajuda muito (e a muitos!!).
    Sucesso!! 💐

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