quinta-feira, 8 de março de 2018

Navio Fantasma


       Você pode acordar bem, aparentemente estar tudo bem, mas uma notícia que poderia ser simples para a maioria das pessoas te leva ao chão. E não é um jeito figurado de falar, é físico mesmo. Te falta o ar, as pernas ficam bambas, você tem a sensação de estar desfalecendo. Simplesmente horrível! E junto com isso a culpa por sentir-se assim, por se achar fraca, por achar injusto tanto sofrimento, a dor da depressão e ansiedade principalmente quando caminham juntas chega a ser insuportáveis. Nessas horas que a gente se pergunta onde está a vontade de viver? Cadê a vontade de sair para tentar se divertir, distrair? Não existe! Pois somos consumidos por essa insegurança, falta de fé, de esperança. Um dia estava pensando sobre a maioria dos meus textos serem tão deprimentes, negativos, mas não posso falar de alegria se não a sinto, não posso falar de felicidade se não a sinto.     Tenho que expurgar essa dor, essa angústia mesmo que seja escrevendo, ou então ela vai me consumindo, me corroendo por dentro fazendo com que eu só sinta o pior de mim aflorar. Eu já me fiz alguns questionamentos como se eu fiz algo muito ruim pra não merecer ter paz, tranquilidade? Será que não já sofri demais? Será que vou encontrar essa paz que sei que está dentro de mim, mas que não se manifesta e deixa com que problemas corriqueiros me derrubem. Espero de verdade conseguir escrever coisas mais positivas, sorrir mais, me aborrecer com menos frequência. Sei que tenho potencial para isso. Mas acho que depois da perda das pessoas mais significantes da minha vida, meu porto seguro, eu meio que fiquei como um barco em alto mar sem rumo, sem direção, sem ninguém a navega-lo. Me sinto na verdade um navio fantasma.
Por: Nina

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