quinta-feira, 26 de abril de 2018

Dor infinita.


Ainda hoje guardo muitas lembranças materiais dos meus pais. Algumas coisas até desnecessárias, porém tenho uma dificuldade tão grande de mexer nas coisas deles por apenas um motivo: ainda me causa muita dor, uma dor que faz com que eu prefira deixar essas coisas guardadas até essa ferida cicatrizar de verdade. Uma coisa que tenho certeza nisso tudo é que ao perder meus pais minha depressão se intensificou, junto com problemas familiares os quais me desestabilizaram muito, passando como um rolo compressor por cima de mim sem se importarem que eu estava de luto, que também estava sentindo essa dor, essa falta. Afinal depois da morte de minha mãe, que foi mais inesperada que a do meu pai pois, de certa forma, a dele já era de se esperar devido à gravidade da doença que ele sofria. Quando minha mãe se foi cinco meses após o meu pai, meu mundo caiu. Meu porto seguro tinha me deixado, ainda tinha tanto a aprender, a trocar, é como se um ciclo tivesse sido interrompido sem ser concluído e isso dói demais. De tantos planos inacabados, tantos lugares para ir, tantas conversas inacabadas. Além da perda em si fica essa inconformidade de não ter conseguido terminar nossas coisas. A gente pode ter a idade que for mais um colo de mãe não tem igual e sempre terminamos sentindo falta. E o resumo disso é dor, muita dor.
Essa ausência se torna ainda mais nítida quando as vezes olhamos para os lados e vemos alguém, mas mesmo assim nos sentimos sós. Não que as pessoas não estejam fazendo nada, mas parece que essa dor é tão dilacerante que nada é suficiente para sanar. Não é questão de ser mal-agradecida, é que só nós que sentimos sabemos a intensidade e quão profunda é essa dor. Então trata-se de se vitimizar? Também não, pois as dores são diferentes em cada indivíduo. De repente outra pessoa talvez nem se lembrasse mais com tanta dor de certa situação, mas é isso. Somos indivíduos únicos e sentimos diferentes e a minha dor não é de carregar e arrastar correntes, tenho isso muito claro na minha cabeça. A minha dor é de saudade infinita, não aceitação por vários motivos, e isso é o que mais dói, corroí a alma. Eu sinceramente peço que Deus que aquiete meu coração, para que eu possa aceitar o que não posso mudar. A sensação de abandono também é muito difícil pelo fato de você ter durante toda sua vida seus pais ao seu lado, e sendo filha caçula fica aquela coisa de poder sempre contar com eles. Então você perde o chão quando se vê na realidade sozinho e os demais membros da família estão cada um cuidando da sua dor e não tem mais colo, mais diálogo. Você dá com a cara no chão e dói muito mais. Não deveria ser permitido que morressem pai e mãe quase juntos. Para que tivéssemos alguém para poder ter perto, amenizar essa dor brusca da perda. Nesse caso, ainda ficaria outra questão sobre como fazer para que aquele que ficou não se sinta só, depois de uma vida inteira juntos. No fim, quem pode evitar quando está para acontecer? Ninguém! Toco muito nesses assuntos sobre o falecimento dos meus pais, pois é um assunto que mexe muito comigo e ainda me dói muito.

Por: Nina

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