Depois de alguns anos de
tratamento e conversas com algumas pessoas com a mesma doença ou outras doenças
mentais diferentes, percebi que muita gente se prologa muito na fase da negação
da doença. Claro, pode ser que seja por falta de um tratamento adequado, com
psiquiatra e psicóloga, mas mesmo sem tratamento, o que para alguns é difícil
conseguir, sabemos que estamos lidando com uma doença que depende muito mais de
nós do que dos outros. Então, um exercício básico é tentar superar a fase de
negação que todos passamos, pois quando nos aceitamos fica muito mais fácil se
dedicar ao tratamento, e estar aberta às possibilidades dele. Quando tentamos
não nos entregar, não dar tantas importâncias aos sintomas temos que lembrar de
que tudo está nossa mente. Não sou nenhuma pessoa que não sabe exatamente o que
diz, pois já faço tratamento há muitos anos e já passei por todas essas fases e
hoje posso dizer que tenho uma certa experiência. Não sou uma psicóloga e há
quem diga que nossas experiências deveriam servir só para nós mesmos, mas
sinceramente acho que não! Podemos sim aprender com os outros, como já dizia
Paulo freire: “Não há saber mais ou saber menos, há saberes diferentes” e com
isso podemos ensinar e aprender. Em relação aos sintomas, claro que cada um é
um organismo diferente, mas o poder que nós podemos exercer sob a nossa mente é
só nosso e essa receita de autocontrole é fundamental. Também é fato que
teremos que conviver com esses problemas pelo resto da vida. Há casos de
pessoas que aceitam se tratar e ficar tomando os remédios apenas para
manutenção e alguns médicos até dão alta, mas creio que isso se aplique apenas para
casos extremamente leves. Outros apelam apenas para fé. A fé é fundamental,
pois não somos nada sem ela, em minha opinião e sem querer desrespeitar àqueles
que não tem fé alguma. Porém, não creio que só a fé resolve. Precisamos de médicos,
psicólogos e medicações, que aliadas a fé, creio que sejam um time perfeito
para combater essas doenças que cada vez crescem mais, que deixam as pessoas
sem chão e muitas vezes sem esperança ou até debilitadas. Por fim, não devemos
deixar de falar da falta de respeito que as pessoas que sofrem com essas
doenças passam, dos olhares e bocas tortas, muitas vezes por parte até dos próprios
membros da família. Isso com certeza dificulta muito mais a procura de um
tratamento ou a continuidade dele, pois frustra sempre, mesmo que sempre queiramos
contar com a nossa família, apesar de sabermos que a maior parte do tratamento
só depende de nós.
Por: Nina
Por: Nina
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