terça-feira, 8 de maio de 2018

Não prolongue o sofrimento.


Depois de alguns anos de tratamento e conversas com algumas pessoas com a mesma doença ou outras doenças mentais diferentes, percebi que muita gente se prologa muito na fase da negação da doença. Claro, pode ser que seja por falta de um tratamento adequado, com psiquiatra e psicóloga, mas mesmo sem tratamento, o que para alguns é difícil conseguir, sabemos que estamos lidando com uma doença que depende muito mais de nós do que dos outros. Então, um exercício básico é tentar superar a fase de negação que todos passamos, pois quando nos aceitamos fica muito mais fácil se dedicar ao tratamento, e estar aberta às possibilidades dele. Quando tentamos não nos entregar, não dar tantas importâncias aos sintomas temos que lembrar de que tudo está nossa mente. Não sou nenhuma pessoa que não sabe exatamente o que diz, pois já faço tratamento há muitos anos e já passei por todas essas fases e hoje posso dizer que tenho uma certa experiência. Não sou uma psicóloga e há quem diga que nossas experiências deveriam servir só para nós mesmos, mas sinceramente acho que não! Podemos sim aprender com os outros, como já dizia Paulo freire: “Não há saber mais ou saber menos, há saberes diferentes” e com isso podemos ensinar e aprender. Em relação aos sintomas, claro que cada um é um organismo diferente, mas o poder que nós podemos exercer sob a nossa mente é só nosso e essa receita de autocontrole é fundamental. Também é fato que teremos que conviver com esses problemas pelo resto da vida. Há casos de pessoas que aceitam se tratar e ficar tomando os remédios apenas para manutenção e alguns médicos até dão alta, mas creio que isso se aplique apenas para casos extremamente leves. Outros apelam apenas para fé. A fé é fundamental, pois não somos nada sem ela, em minha opinião e sem querer desrespeitar àqueles que não tem fé alguma. Porém, não creio que só a fé resolve. Precisamos de médicos, psicólogos e medicações, que aliadas a fé, creio que sejam um time perfeito para combater essas doenças que cada vez crescem mais, que deixam as pessoas sem chão e muitas vezes sem esperança ou até debilitadas. Por fim, não devemos deixar de falar da falta de respeito que as pessoas que sofrem com essas doenças passam, dos olhares e bocas tortas, muitas vezes por parte até dos próprios membros da família. Isso com certeza dificulta muito mais a procura de um tratamento ou a continuidade dele, pois frustra sempre, mesmo que sempre queiramos contar com a nossa família, apesar de sabermos que a maior parte do tratamento só depende de nós.


Por: Nina

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