Nos atendimentos que realizei e continuo a realizar, é fácil perceber os sintomas que acompanhantes apresentam frente a quadros de depressão severa de um ente querido. É realmente difícil, para uma pessoa que nunca teve depressão, entender aquela tristeza profunda que aparentemente não tem razão para existir. Neste caso, a sensação de incapacidade toma conta do individuo e com ela, é claro, fragilidades cognitivas e pensamentos perturbadores são estimulados.
Não é raro , por exemplo, que o cuidador em determinado momento sinta culpa pela tristeza do outro. Afinal, ele faz parte da vida do paciente e, de varias formas, compartilhou momentos infelizes ao seu lado. Este sentimento gera tristeza e diminui a força que ele teria para ajudar nesta ocasião tão complicada.
Outra fase, não menos sofrida, é a da irritabilidade. A pessoa acredita que aquilo pode ser "frescura" ou "preguiça" e que nada do que ela faça ajudará o doente a melhorar. Este pensamento desencadeia conflitos que são difíceis de amenizar.
E
xistem também outros sentimentos e eles se manifestam de maneira diferente em cada pessoa, mas os citados acima são os mais comuns e severos.
De qualquer maneira, o importante é que o cuidador entenda que depressão é uma doença e a tristeza profunda e o desânimo são sintomas que não necessariamente relacionados com as pessoas a sua volta.
Aceitar esse fato vai tornar o processo menos complicado.
Por isso é importante, quando possível, buscar apoio psicológico também par a família. isso fará com que todos enfrentem o problema de maneira menos dolorosa e, consequentemente, reflitam positivamente no tratamento do paciente que, além do apoio profissional, contará com o afeto de familiares e amigos esclarecidos sobre a situação.
Texto: Margarida Antunes Chagas
Psicologa clinica.

Nenhum comentário:
Postar um comentário