Existe dias em que a gente preferiria não sair da cama, e hoje para mim foi um desses
dias. Às vezes parece que nesses dias as pessoas que nos cercam contribuem
ainda mais para tudo desandar. A gente não fica deprimida, ansiosa, irritadiça,
mal-humorada porque quer. Quando isso acontece parece que ficam testando a
nossa paciência, que já está por um fio por causa da própria doença, com a
forma de algumas pessoas nos tratarem. As nossas expectativas diante das
pessoas próximas a nós tendem a serem maiores pois são essas pessoas de quem a
gente espera apoio, compreensão e certa paciência. Tem vezes que fica tão
difícil que as ideias que nos pairam a cabeça nem sempre são as melhores, e
isso assusta muito mais. Hoje foi dia de sentir vazio, vontade de chorar,
aperto no peito. Sentimentos que há algum tempo não vinha sentindo com tanta
intensidade. Nas últimas semanas vinha melhorando gradativamente e essas
sensações ocorrendo com menos frequência e mais espaçadas, mas infelizmente nessa
semana elas vieram piorando gradativamente, chegando ao ápice que foi hoje.
Houve um primeiro gatilho que desencadeou o início dessa crise e outros
acontecimentos que foram completando o meu caos. E essa sensação é horrível.
Quando a gente vai ficando desacreditada
nas pessoas mais próximas, as quais a gente acha que vão nos cuidar, nos proteger,
e isso não acontece e nos deparamos ainda com essa sociedade preconceituosa que
não contribui em nada para que nos sintamos melhor, sendo que esses problemas
de saúde já não são fáceis de lidar, isso faz com que esse problema fique bem
mais complicado. Eu em especial sofro com um agravante, os problemas
psicossomáticos que me trouxeram vários problemas de saúde físicos, que me
causam muitas dores e sofrimentos por causa da saúde física e emocional. Então
pode-se dizer que a gente sofre duas vezes, dói o corpo e a alma e isso é
devastador. E somado a falta de compreensão e solidariedade torna tudo insuportável.
O pior é que a gente sabe que as informações estão em todos lugares sobre
problemas psiquiátricos, mas a gente sente o preconceito da própria família e amigos.
A gente se sente magoado, rejeitado e sozinho. E o que fazer? Há momentos em
que não sei o que fazer, mas eu sigo sentindo essa sensação de que eu estou
assim porque quero, porque gosto, porque quero dar trabalho e atrapalhar a vida
dos meus familiares. É muito ruim se sentir um estorvo, é verdade. E é mais
verdade ainda que alguns fazem você se sentir exatamente assim. Daí algumas
pessoas pensam “nossa, como ela é vitimista”, “como ela não vê nada de
positivamente”. Não, não é vitimismo! É verdade, a negatividade é um dos
sintomas de depressão e TAG, e isso não faz ninguém se sentir bem por ter esses
problemas, pois com certeza ninguém em sã consciência quer se sentir pela
metade, quer ter sua vida normal roubada, não por vontade de se esconder para
enfrentar a vida, mas porque a doença rouba a sua energia e vitalidade, e é
muito difícil ter forças pra reagir.
Por: Nina
Por: Nina

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