Quando você era criança provavelmente já teve um primo mais
velho, um colega ou um irmão que te provocou medo de coisas inexistentes. Loira
do banheiro, Matinta Pereira ou Freddy Krueger, qualquer coisa era motivo para
assustar você e dar trabalho para quem te cuidava. Não era culpa sua. Era bem difícil
naquela época saber a diferença do que era perigo real e o que não era,
restando a experiência de pessoas mais velhas para te ajudar.
Mas o que você não percebia era o prazer da pessoa que
relatava esse tipo de história. Saber que de alguma forma ou de outra você confiava
nela sem nenhum questionamento, porque para você esse alguém era mais experiente
e estava te cuidando de alguma forma (mesmo não estando), dava algum tipo de sensação
gostosa. Esse tipo de prazer vicia tornando-o constante até não fazer mais
efeito sobre o falante. O diferencial hoje é que você sabe dizer o que é real e
faz sentido para você, evitando medos desnecessários e preocupações sobre o
futuro, sobre o que pode ou não acontecer contigo. Assim, então por que não
questionar ou ignorar pessoas que podem extrair prazer te colocando medos
sobre, por exemplo, ruas que o filho da vizinha do avô da cunhada de um parente
distantes sofreu um assalto; sobre alguns processos burocráticos que você tem
que fazer o mais rápido possível, que, chegando a sua vez de ser atendido,
percebe que não era necessário; sobre aquele professor escroto que reprovou
alguém que você descobre que nem é tão rígido se comparando àqueles que você já
enfrentou?
Você ganha mais se informando melhor (ou até vivendo a
situação) do que dando ouvidos a quem deseja extrair prazer sobre a sua
ansiedade.
O mundo é um lugar difícil. Não faça os outros o tornarem
pior.
Por:Psipr

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