Uma
palavra muito comum em textos sobre a depressão e ansiedade é acolhimento. Por incrível
que pareça é uma palavra de difícil compreensão. O acolhimento está ligado diretamente
a empatia, algo que é muito raro hoje em dia. A empatia pode ser uma atitude
dolorosa, porque se colocar no lugar do outro pode doer, e nem estou falando de
uma empatia que você esqueça o seu bem-estar para tentar curar o outro. Não! A
questão é que o ser humano está cada vez mais egoísta para enxergar o outro, e
requer trabalho para desfocar do próprio umbigo, já que hoje é difícil quem não
se preocupe apenas com o seu bem-estar.
Algo
que se torna ainda mais doloroso para essas pessoas com doenças psicológicas
é o fato de que muitas vezes essa falta de empatia e acolhimento vem da
família, dos amigos e isso é duplamente doloroso. A gente sofre com nossos
conflitos, dores emocionais, traumas e precisa ainda ter forças para lidar com
a rejeição e indiferença. As pessoas muitas das vezes se mostram mais doentes
do que o própria pessoa que sofre com a patologia, pois as vezes o que se quer é alguém para ouvir, e não
opiniões, por mais bem-intencionadas que elas possam ser, pois quem sofre com
problemas psicológicos precisa de atendimento especializado (psiquiátrico e
psicológico) não de achismos. Pode parecer arrogância ou prepotência, mas é
necessário entender que as pessoas podem até ter a intenção de ajudar, mas
muitas vezes acabam causando um gatilho em quem já está relativamente bem ou talvez
nem esteja e possa ficar pior.
Outro
fator importante é achar que quando os doentes tomam certas atitudes, como às
vezes ser estúpido ou facilmente irritável, é porque estamos fazendo de caso
pensado para magoar, irritar, provocar, mas não! Este é um dos sintomas dessas
doenças como a ansiedade e depressão. As pessoas precisam se informar sobre
essas doenças, principalmente os familiares, e não se afastarem dos acometidos
pela doença, pois a depressão é uma doença corrosiva, que nos destrói de dentro
para fora, e nesses momentos a solidão já é nossa companhia, por nosso próprio
isolamento, por falta de vontade de interagir com as pessoas, falta de vontade
de sair e vários outros motivos que só fariam desse texto mais extenso. O objetivo
aqui é chamar a atenção de que a nossa busca pela família, por acolhimento não
é na intenção de se fazer de vítima ou por drama. A intenção é buscar apoio,
acolhimento e a busca pela família é por sentir que ali a gente conseguiria
colo e apoio. É o mínimo que se espera!
Os
índices de suicídio no mundo são muito altos em razão de as pessoas com
problemas como a depressão e a ansiedade se sentirem sozinhas e sem apoio. E o
mais interessante é que as pessoas se comportam mal e depois de uma pessoa cometer o
suicídio ficam com pena, às vezes se sentindo culpadas, mas não pensam que um
ato de amor, carinho, um apoio, poderia mudar uma atitude radical de uma pessoa
adoentada. Não estou dizendo que a responsabilidade seja dessa pessoa alheia ao
deprimido, mas digo que algumas pessoas poderiam ser salvas se tivesse um pouco
mais de compreensão.
Outro
fato é quererem insistir que a doença, ou qualquer doença, é “falta de Deus”. Pessoas
que frequentam determinada igreja acham que só a sua igreja “salva”, mas será
que em um momento de crise este é um assunto pertinente para conversar com
alguém em uma situação tão sensibilizada? São questões importantes que devem
ser levadas em consideração pois se essa pessoa que está passando em por um momento
difícil provavelmente este não seja o momento ideal para colocar caraminholas
na cabeça dela, que já está com sua cabeça cheias das suas próprias
caraminholas. de traumas, perdas, abusos, sofrimentos diversos. Se a pessoa não pode
ajudar que pelo menos não atrapalhe, pois, a verdade é que quem sofre com
esses problemas já se sente morto, e isso não é exagero, é apenas que a visão
do mundo de um depressivo é cinza.
Existem
umas regrinhas básicas para conseguir lidar com essas pessoas com depressão,
então não julgue, nem que você já tenha passado por uma depressão, as dores não
são iguais e não as compare nunca. Respeito, empatia e acolhimento são
fundamentais. Não perca alguém próximo, seja amigo ou seja familiar, para
depressão. Se você não se sente capaz de lidar com uma pessoa assim depressiva procure
uma terapia pois isso ajuda e muito. Caso a terapia esteja inviável pela rede
pública ou particular, peça para conversar com o psicólogo(a) da pessoa que é
próxima a você, pois isso já pode ajudar muito.
Só não julgue.
Não menospreze.
Não trate com indiferença.
Não manipule os sentimentos de
alguém que já está fragilizado.
Tenha empatia.
Tenha respeito por quem sofre.
Por: Nina

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