sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

AS DORES E CONSEQUENCIAS DA DEPRESSÃO


As pessoas normalmente cobram muito de quem sofre depressão, e em contraponto nem sempre dão a essa pessoa o que ela precisa. O depressivo é uma pessoa normal, e deve ser tratado como tal, mas existe uma linha tênue entre quando essa pessoa está em um momento bom ou não, pois essas pessoas passam por muitas instabilidades emocionais, uma montanha russa de sentimentos e emoções que muitas vezes fica difícil de controlar, e teoricamente é mais fácil a família, que deve ser a base de apoio, entender certas atitudes e não ficar com comportamentos infantis e acabar muitas vezes se comportando como se quisessem se vingar de alguém que não faz as coisas propositadamente.
É claro que sempre se busca crescer e evoluir, mas a verdade é que por mais incrível que possa parecer, muitas pessoas às vezes sofrem com a depressão por anos e algumas vezes pela vida inteira e nunca descobrem e passam a vida inteira passando por um verdadeiro inferno emocional, e fazendo o mesmo com seus familiares. É preciso muita coragem para enfrentar a depressão, e principalmente para procurar ajuda sozinho em um momento em que ninguém te compreende, em que nem a gente às vezes sabe interpretar o que se passa. Até isso acontecer você já foi chamada de preguiçosa, disseram que você dorme demais, que é chata, irritante, reclama de tudo e que só vive de mal humor. O pior é que as pessoas não entendem que os sintomas da depressão desencadeiam exatamente esses comportamentos pois é mais fácil julgar, apontar o dedo, criticar do que se informar, pesquisar na internet, conversar com um profissionais que tratam dessa doença.
Além disso, uma verdade é que às vezes nada disso resolve para algumas pessoas, pois a depressão é uma doença invisível, e se não se pode ver, muitos não acreditam, muitos desdenham, muitos acham frescura, com alguns dizendo inclusive coisas como: “no meu tempo a gente não ouvia falar dessas doenças”. O fato é que a depressão sempre existiu desde que o mundo é mundo. A diferença é que nos primórdios não era tratada de maneira adequada, e além de ser tratada dessa forma pejorativa acima citada, ainda se dizia que a pessoa estava com problema espiritual, estava possuída, havendo pessoas que foram trancafiadas em manicômios, muitas das vezes esquecidas nesses locais, etc. Nós podemos imaginar na história quantos casos desses aconteceram, e a gente que passa por essa dor sofre por ver como essas pessoas foram injustiçadas e culpabilizadas por simplesmente estarem doentes e não terem compreensão e tratamento adequado.
Nos dias de hoje, ainda passamos por isso mesmo com tanta informação. Mas a grande questão de tudo é quando vemos alguém gripado a gente consegue ver o nariz escorrer, a tosse e outros sintomas, e com a depressão não é assim. Se você está extremamente deprimido, sem energia, sem vontade sair da cama, sem vontade de fazer nada, só com vontade de dormir o dia todo, todos assumem que você é preguiçosa, se você está irritada é porque você é chata, reclama muito e assim vai...
A questão é que temos que saber lidar com a doença, com as emoções, com o comportamento dos outros, a falta de empatia, o afastamento dos amigos, as vezes da familia... Ou seja: a doença passa a pesar uma tonelada, pois a gente tem que saber lidar com esses sintomas que a doença traz e com as consequências dela também. Muitas vezes as pessoas não deduzem que esse apoio que deixam de dar, que esses afastamentos das pessoas queridas levam muitas pessoas ao suicídio, havendo dois lados, pois ou a pessoa que cometeu o suicídio vira santo para essas pessoas que em outro momento não davam atenção a ela ou ela foi fraca e não compreendem que ela na verdade foi forte por muito tempo, já que hoje sabemos que essa pessoa na verdade não queria acabar com a própria vida e sim acabar com sua dor.
Se esse texto conseguir trazer o mínimo de reflexão para algumas pessoas eu já sinto que atingi o meu objetivo, porque essa doença é corrosiva e sofrer com rejeição e indiferença ajuda essa corrosão a tomar uma proporção estratosférica.

Por: Nina

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