quarta-feira, 3 de junho de 2020

SOLIDÃO



A solidão tem sido minha maior companhia nesses períodos de isolamento social, acho que algumas famílias se viram perdidas dentro de seus próprios lares com algumas pessoas que são da família, mas a correria do dia-a-dia não permitia tantos diálogos e trocas de afetos. Uma vida tão no automático onde vai se perdendo os pequenos prazeres da vida.
Há algum tempo minha psicóloga dizia para eu sentir mais gratidão pelas coisas, visto que as pessoas com transtornos emocionais já têm uma visão negativa da vida e isso junto a não ter tempo, nem enxergar a vida ao seu redor pois vivem com a cara no celular, em atividades diárias corridas fica quase que impossível perceber as coisas ao nosso redor e sentir a gratidão. E conseguir praticar os exercícios de gratidão nesse momento que a pandemia chegou dando um tapa na nossa cara fazendo a gente conseguir ter a ideia de quanto coisas mínimas (que agora sabemos que não são tão mínimas assim, merecem ser agradecidas).
Voltando a falar da minha companheira – a solidão – ela não é exatamente a falta de companhia, apesar de que os assuntos as vezes não aparecem para juntar todo mundo, as diferenças de horário também fazem com que o hábito da família fazer as refeições juntas não aconteça, e assim, na quarentena o distanciamento familiar vai prevalecendo. Então, você pega todos esses problemas e junta com seus traumas de infância, sua depressão e ansiedade: aí bingo! Temos uma solidão tão profunda e dolorosa que já acorda contigo. Você abre os olhos e já sente ela chegar como um pequeno incômodo, então você ocupa a mente com alguma coisa e ela some um pouquinho. Você pára um minuto e ela vem rasgando o peito numa luta inglória, pois ficamos nessa luta o dia todo. Mas, é sempre no final do dia que paramos de verdade e ela vem e se instala de uma forma tão cruel que nesse momento surge uma dor que você sente uma sensação de abandono, perda, de não pertencer a lugar nenhum e isso é muito louco, pois ficamos confusas sobre nossos sentimentos. A partir daí, quando a situação parece bem crítica você passa a sentir vontade de estar perto de alguém para que essa solidão vá embora, mas não tínhamos habito de estarmos juntos, pois o dia-a-dia não deixava e nos acostumamos a ficar no piloto automático, mesmo que fosse respeitando o piloto automático do outro. Mas, essa pandemia veio para colocar as entranhas das pessoas com problemas emocionais para fora e para quem não tinha nenhum, entrar nessa estatística.
Assistindo a uma live do canal Saúde da Mente (por sinal indico muito!), se disse que depois da pandemia teremos uma onda de pessoas depressivas e ansiosas, principalmente. Isso é algo muito preocupante, pois se o governo já não se importa com um vírus perigoso, vai se preocupar com doenças emocionais? No mínimo vai dizer que é frescura. As redes públicas de saúde já não dão conta da demanda de pessoas que já precisam de tratamento e ainda tem os atendimentos nas faculdades particulares que ajudam muito e fora quem pode pagar seu tratamento. Não consigo imaginar uma onda de pessoas adoecidas mentalmente. Enquanto isso não chega, a gente vai tentando lidar da melhor forma possível com esse isolamento que nos deixou cara a cara com nossos fantasmas, medos, angústias e uma solidão de realmente estar só e uma solidão mesmo estando acompanhado que, no meu ponto de vista, é mais dolorosa. Sigamos lutando contra nossos inimigos invisíveis, porém muito reais e tentando ficar bem.

Por: Nina

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