A solidão tem
sido minha maior companhia nesses períodos de isolamento social, acho que
algumas famílias se viram perdidas dentro de seus próprios lares com algumas
pessoas que são da família, mas a correria do dia-a-dia não permitia tantos
diálogos e trocas de afetos. Uma vida tão no automático onde vai se perdendo os
pequenos prazeres da vida.
Há algum tempo
minha psicóloga dizia para eu sentir mais gratidão pelas coisas, visto que as
pessoas com transtornos emocionais já têm uma visão negativa da vida e isso
junto a não ter tempo, nem enxergar a vida ao
seu redor pois vivem com a cara no celular, em atividades diárias corridas fica
quase que impossível perceber as coisas ao nosso redor e sentir a gratidão. E conseguir
praticar os exercícios de gratidão nesse momento que a pandemia chegou dando um
tapa na nossa cara fazendo a gente conseguir ter a ideia de quanto coisas
mínimas (que agora sabemos que não são tão mínimas assim, merecem ser
agradecidas).
Voltando a
falar da minha companheira – a solidão – ela não é exatamente a falta de
companhia, apesar de que os assuntos as vezes não aparecem para juntar todo
mundo, as diferenças de horário também fazem com que o hábito da família fazer
as refeições juntas não aconteça, e assim, na quarentena o distanciamento
familiar vai prevalecendo. Então, você pega todos esses problemas e junta com
seus traumas de infância, sua depressão e ansiedade: aí bingo! Temos uma
solidão tão profunda e dolorosa que já acorda contigo. Você abre os olhos e já
sente ela chegar como um pequeno incômodo, então você ocupa a mente com alguma
coisa e ela some um pouquinho. Você pára um minuto e ela vem rasgando o peito numa
luta inglória, pois ficamos nessa luta o dia todo. Mas, é sempre no final do
dia que paramos de verdade e ela vem e se instala de uma forma tão cruel que
nesse momento surge uma dor que você sente uma sensação de abandono, perda, de não
pertencer a lugar nenhum e isso é muito louco, pois ficamos confusas sobre
nossos sentimentos. A partir daí, quando a situação parece bem crítica você
passa a sentir vontade de estar perto de alguém para que essa solidão vá
embora, mas não tínhamos habito de estarmos juntos, pois o dia-a-dia não
deixava e nos acostumamos a ficar no piloto automático, mesmo que fosse
respeitando o piloto automático do outro. Mas, essa pandemia veio para colocar as
entranhas das pessoas com problemas emocionais para fora e para quem não tinha
nenhum, entrar nessa estatística.
Assistindo a uma
live do canal Saúde da Mente (por
sinal indico muito!), se disse que depois da pandemia teremos uma onda de
pessoas depressivas e ansiosas, principalmente. Isso é algo muito preocupante,
pois se o governo já não se importa com um vírus perigoso, vai se preocupar com
doenças emocionais? No mínimo vai dizer que é frescura. As redes públicas de
saúde já não dão conta da demanda de pessoas que já precisam de tratamento e
ainda tem os atendimentos nas faculdades particulares que ajudam muito e fora
quem pode pagar seu tratamento. Não consigo imaginar uma onda de pessoas
adoecidas mentalmente. Enquanto isso não chega, a gente vai tentando lidar da
melhor forma possível com esse isolamento que nos deixou cara a cara com nossos
fantasmas, medos, angústias e uma solidão de realmente estar só e uma solidão
mesmo estando acompanhado que, no meu ponto de vista, é mais dolorosa. Sigamos
lutando contra nossos inimigos invisíveis, porém muito reais e tentando ficar
bem.
Por: Nina

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