segunda-feira, 20 de julho de 2020

A FALTA DE EMPATIA PODE COMEÇAR EM CASA


Espero que de alguma forma esses meus relatos sirvam para ajudar pelo menos uma pessoa que seja que sofra com depressão, ansiedade, relacionamentos tóxicos (familiares, amorosos, de amizade), preconceitos, violência psicológica, violência física. 
Algumas pessoas não sabem o que nos leva a um quadro depressivo e às vezes não sabemos explicar devido a um turbilhão de sentimentos que até parece que você está em um estado tão delicado que você começa a pensar que você mesmo é motivo ou tudo são gatilhos. Ainda temos que lidar com pessoas que acham que o que você passou não é o suficiente para tais transtornos psicológicos. Quem além de um psiquiatra ou psicólogo pode saber até onde nossas dores podem chegar e quais as formas de tratamento? Será que alguém leigo é capaz de medir a extensão das nossas dores? E depois vir dizer: ‘esquece, supera ou você vai viver em um cativeiro a sua vida toda’. Quando conseguimos perceber que algo está errado conosco e vamos em busca de tratamento, sem o apoio de ninguém da família, ainda é bom, e quando você não tem forças para nada e precisaria de um apoio até ir atrás de ajuda psiquiátrica e psicológica, aí a coisa pode ser complicada e muitas vezes essas pessoas são as que tentam ou cometem suicídio, que é hoje um caso de saúde pública.
Tem uma frase clichê que gosto muito que diz: “Sabe o que é carinho? É tocar com respeito o mundo do outro”. Seria uma simples frase se não dissesse exatamente tudo que cada um de nós pode fazer para tentar viver bem, sendo presente, ouvindo, não julgando, pois não existe algo pior do que os julgamentos vindos, principalmente, da sua família. Eu já sofri com esses problemas com todos os membros da minha família, sem tirar ninguém. Os mais próximos ainda estão apreendendo a conviver, a lidar com os momentos de crise, mas também devo dizer que dependendo do grau de depressão essa convivência fica complicada, mas não abandonamos quem amamos. Já outros membros da família até hoje não respeitam meu problema me provocam gatilhos e, acreditem, algumas vezes são de propósito. É, existem pessoas perversas inclusive dentro da nossa família, existem as que não te respeitam que acham que só Deus é a saída para a sua cura (como cristã, acredito em Deus sim, mas também acredito na medicina, no tratamento psicológico). Outros simplesmente se afastam, porque eles acham que você pode lhes trazer algum tipo de problema, e raríssimas pessoas acham que ajudar vale a pena. Esses que se afastam é porque acham que você pode trazer problemas, seja de relacionamento, pôr as vezes estarmos um pouco mais negativos, por ficarmos mais irritadiços, ou que você possa precisar de alguém para desabafar, para chorar, e essas pessoas não querem ter trabalho com ninguém: estão preocupadas com seus próprios problemas e, hoje em dia, a sociedade está meio assim... cada um só se preocupa com seus problemas. E ai de você que não lute para sobreviver e superar essas pessoas que ainda ajudam a te colocar pra baixo!
Aqueles que poderiam estar te acolhendo, procurando compreender e não fazem, nos trazem sentimentos de grande frustração e dói, viu? Dói muito! Agora você pode ter uma certeza, se eles precisarem de você para qualquer coisa, aí sim, eles vão lembrar que você existe. Como já dizia a minha falecida mãe “a cara nem treme”.
Já aconteceram algumas situações na minha vida em que não me sentia bem e sabia de alguém não estar bem também, uma amiga, por exemplo, e eu poderia não estar nem me levantando com depressão, mas nem que fosse uma palavra de apoio pelas redes sociais eu procurava dar. Em outra ocasião mesmo vivendo os primeiros dias de luto da minha mãe (e com cinco meses apenas de luto do meu pai), engoli todo o meu processo de luto e fui socorrer uma pessoa que, até então, eu não teria dúvidas de que faria o mesmo por mim. Passei mais de dois meses ajudando essa pessoa que também estava com depressão, trouxe para minha casa, levei ao médico, psicólogo.
Nem todos sabem, mas o luto tem um processo de 5 fases e devemos passar por todas para que não fique sequelas de uma perda não superada, que foi o meu caso, pois quando essa pessoa já estava melhor e eu, por ter interrompido o meu processo de luto estava ficando com a energia baixa, meu médico notou que eu não estava bem e não poderia mais ajudar essa pessoa, porque ela já estava sugando minhas energias e eu apresentava sinais de estar entrando em depressão. Como já havia ajudado no que eu podia, no mínimo, esperava compreensão. Passei a sofrer muitos tipos de pressões psicológicas, chantagem emocional e só o que eu queria era que essa pessoa entendesse que eu não estava saindo da vida dela, eu só estava doente de verdade e por ironia do destino com mesma doença que a ajudei. Eu só esperava compreensão.
Hoje sei o quanto interromper meu processo de luto me custou e custa. Até hoje essa determinada pessoa é difícil de se argumentar porque ainda sofro com depressão, ela não vê motivos para tanto, e ainda diz: Que psicólogo é esse teu que tu não melhoras? Teu médico te enche de remédios e tu não fica boa? Agora imagine você vir de uma infância conturbada e solitária, desde criança até a vida adulta apanhando do seu irmão, ter um noivo que comete o suicídio, vir de uma família tóxica que só brigava, passar por ameaças, ser difamada, sofrer injúria, descobrir uma doença degenerativa no teu pai que o médico diagnosticou no máximo 6 anos de vida e ele falecer em 1 ano. E ainda, 5 meses depois tua mãe entra em depressão, e não comer direito isso agravava seus problemas de saúde pré-existentes, é internada, é entubada resistindo apenas uma semana, não tem como…teu chão se abre. Mesmo assim, você vai tentar ajudar alguém que depois, por pura perversidade, birra, imaturidade e egocentrismo, fode o resto de cabeça que tu tens, e então você entra em uma depressão tão grave por quase dois anos. Acredite! Foram quase dois anos e junto aparecendo vários efeitos psicossomáticos.
Hoje me considero uma sobrevivente. Ainda estou com depressão, o mínimo gatilho me deixa de cama, choro por tudo, já pensei em cometer o suicídio muitas e muitas vezes. Hoje não tenho amigos, porque não sou mais a amiga divertida que sentava nos bares para tomar uma, minha família acha que tudo está errado comigo menos o jeito deles lidarem com uma pessoa deprimida. Eu sempre bato nessa tecla, se você tem um parente com algum problema emocional acolha, de carinho, ouça, se informe a respeito da doença. Você pode ajudar de forma mais eficaz, você pode tirar ou evitar que essa pessoa chegue ao fundo do poço. Ajudar é bom para quem precisa e muito mais para quem ajuda, pois não tem nada mais gratificante de você saber que trouxe um pouco de consolo e alivio a vida de alguém. Isso é um ato de caridade, é um ato de solidariedade e empatia.


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