Espero que de
alguma forma esses meus relatos sirvam para ajudar pelo menos uma pessoa que
seja que sofra com depressão, ansiedade, relacionamentos tóxicos (familiares,
amorosos, de amizade), preconceitos,
violência psicológica, violência física.
Algumas
pessoas não sabem o que nos leva a um quadro depressivo e às vezes não sabemos
explicar devido a um turbilhão de sentimentos que até parece que você está em
um estado tão delicado que você começa a pensar que você mesmo é motivo ou tudo
são gatilhos. Ainda temos que lidar com pessoas que acham que o que você passou
não é o suficiente para tais transtornos psicológicos. Quem além de um
psiquiatra ou psicólogo pode saber até onde nossas dores podem chegar e quais
as formas de tratamento? Será que alguém leigo é capaz de medir a extensão das
nossas dores? E depois vir dizer: ‘esquece, supera ou você vai viver em um
cativeiro a sua vida toda’. Quando conseguimos perceber que algo está errado conosco
e vamos em busca de tratamento, sem o apoio de ninguém da família, ainda é bom,
e quando você não tem forças para nada e precisaria de um apoio até ir atrás de
ajuda psiquiátrica e psicológica, aí a coisa pode ser complicada e muitas vezes
essas pessoas são as que tentam ou cometem suicídio, que é hoje um caso de
saúde pública.
Tem uma frase
clichê que gosto muito que diz: “Sabe o que é carinho? É tocar com respeito o
mundo do outro”. Seria uma simples frase se não dissesse exatamente tudo que
cada um de nós pode fazer para tentar viver bem, sendo presente, ouvindo, não
julgando, pois não existe algo pior do que os julgamentos vindos, principalmente,
da sua família. Eu já sofri com esses problemas com todos os membros da minha
família, sem tirar ninguém. Os mais próximos ainda estão apreendendo a conviver,
a lidar com os momentos de crise, mas também devo dizer que dependendo do grau
de depressão essa convivência fica complicada, mas não abandonamos quem amamos.
Já outros membros da família até hoje não respeitam meu problema me provocam
gatilhos e, acreditem, algumas vezes são de propósito. É, existem pessoas
perversas inclusive dentro da nossa família, existem as que não te respeitam
que acham que só Deus é a saída para a sua cura (como cristã, acredito em Deus
sim, mas também acredito na medicina, no tratamento psicológico). Outros
simplesmente se afastam, porque eles acham que você pode lhes trazer algum tipo
de problema, e raríssimas pessoas acham que ajudar vale a pena. Esses que se
afastam é porque acham que você pode trazer problemas, seja de relacionamento, pôr
as vezes estarmos um pouco mais negativos, por ficarmos mais irritadiços, ou
que você possa precisar de alguém para desabafar, para chorar, e essas pessoas
não querem ter trabalho com ninguém: estão preocupadas com seus próprios
problemas e, hoje em dia, a sociedade está meio assim... cada um só se preocupa
com seus problemas. E ai de você que não lute para sobreviver e superar essas
pessoas que ainda ajudam a te colocar pra baixo!
Aqueles que
poderiam estar te acolhendo, procurando compreender e não fazem, nos trazem
sentimentos de grande frustração e dói, viu? Dói muito! Agora você pode ter uma
certeza, se eles precisarem de você para qualquer coisa, aí sim, eles vão
lembrar que você existe. Como já dizia a minha falecida mãe “a cara nem treme”.
Já aconteceram
algumas situações na minha vida em que não me sentia bem e sabia de alguém não
estar bem também, uma amiga, por exemplo, e eu poderia não estar nem me
levantando com depressão, mas nem que fosse uma palavra de apoio pelas redes
sociais eu procurava dar. Em outra ocasião mesmo vivendo os primeiros dias de
luto da minha mãe (e com cinco meses apenas de luto do meu pai), engoli todo o
meu processo de luto e fui socorrer uma pessoa que, até então, eu não teria dúvidas
de que faria o mesmo por mim. Passei mais de dois meses ajudando essa pessoa
que também estava com depressão, trouxe para minha casa, levei ao médico,
psicólogo.
Nem todos
sabem, mas o luto tem um processo de 5 fases e devemos passar por todas para
que não fique sequelas de uma perda não superada, que foi o meu caso, pois quando
essa pessoa já estava melhor e eu, por ter interrompido o meu processo de luto
estava ficando com a energia baixa, meu médico notou que eu não estava bem e
não poderia mais ajudar essa pessoa, porque ela já estava sugando minhas
energias e eu apresentava sinais de estar entrando em depressão. Como já havia ajudado
no que eu podia, no mínimo, esperava compreensão. Passei a sofrer muitos tipos
de pressões psicológicas, chantagem emocional e só o que eu queria era que essa
pessoa entendesse que eu não estava saindo da vida dela, eu só estava doente de
verdade e por ironia do destino com mesma doença que a ajudei. Eu só esperava
compreensão.
Hoje sei o
quanto interromper meu processo de luto me custou e custa. Até hoje essa
determinada pessoa é difícil de se argumentar porque ainda sofro com depressão,
ela não vê motivos para tanto, e ainda diz: Que psicólogo é esse teu que tu não
melhoras? Teu médico te enche de remédios e tu não fica boa? Agora imagine você
vir de uma infância conturbada e solitária, desde criança até a vida adulta
apanhando do seu irmão, ter um noivo que comete o suicídio, vir de uma família
tóxica que só brigava, passar por ameaças, ser difamada, sofrer injúria,
descobrir uma doença degenerativa no teu pai que o médico diagnosticou no
máximo 6 anos de vida e ele falecer em 1 ano. E ainda, 5 meses depois tua mãe
entra em depressão, e não comer direito isso agravava seus problemas de saúde
pré-existentes, é internada, é entubada resistindo apenas uma semana, não tem como…teu
chão se abre. Mesmo assim, você vai tentar ajudar alguém que depois, por pura
perversidade, birra, imaturidade e egocentrismo, fode o resto de cabeça que tu
tens, e então você entra em uma depressão tão grave por quase dois anos. Acredite!
Foram quase dois anos e junto aparecendo vários efeitos psicossomáticos.
Hoje me
considero uma sobrevivente. Ainda estou com depressão, o mínimo gatilho me
deixa de cama, choro por tudo, já pensei em cometer o suicídio muitas e muitas
vezes. Hoje não tenho amigos, porque não sou mais a amiga divertida que sentava
nos bares para tomar uma, minha família acha que tudo está errado comigo menos
o jeito deles lidarem com uma pessoa deprimida. Eu sempre bato nessa tecla, se você
tem um parente com algum problema emocional acolha, de carinho, ouça, se
informe a respeito da doença. Você pode ajudar de forma mais eficaz, você pode
tirar ou evitar que essa pessoa chegue ao fundo do poço. Ajudar é bom para quem
precisa e muito mais para quem ajuda, pois não tem nada mais gratificante de você
saber que trouxe um pouco de consolo e alivio a vida de alguém. Isso é um ato
de caridade, é um ato de solidariedade e empatia.

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