sexta-feira, 31 de julho de 2020

TOXICIDADE


Falando em toxicidade: várias pessoas podem ser tóxicas, disso a gente sabe. Vários transtornos emocionais podem deixar uma pessoa com vários sintomas que são de doenças e não uma simples irritabilidade, mudanças constantes de humor, tristezas, ciclos depressivos, negatividade, etc. No entanto, ter esses sentimentos por muitas semanas é sinal que se deve procurar apoio psicológico. Isso é importante! Só é preciso estar aberto ao diagnóstico e disposto a se comprometer ao tratamento, se propondo a melhorar como pessoa, por si mesmo e para seu círculo familiar, talvez até de amizade.
Eu, por exemplo, sei que algumas vezes sou tóxica com meus familiares. No passado talvez com alguns conhecidos, e isso é algo que necessita coragem para assumir, pois tem risco de virar um estereótipo, e aquela galera que costuma falar em empatia e não tem nenhuma, te faz ganhar rótulo de mal-humorado, chato, encrenqueiro.
Eu passei por todos esses rótulos, mas pasmem, os meus, na grande maioria, vinham da minha própria família. Nunca ninguém pensou ou sugeriu, nem quando adulta, que eu procurasse apoio psicológico. Eu me auto avaliei e vi que tais comportamentos não eram normais.
Meu marido e filha, meus pais que hoje não estão mais aqui, e mesmo no alto de sua “inocência”, - digo inocência pois na época deles não se falava tanto dessas doenças - viram o quão toxica eu já fui, e ficava muito feliz em ouvir, mais da minha mãe, porque meu pai era mais caladão, que eu tinha melhorado muito, mesmo que meus irmãos sempre dissessem o contrário.
E se eu uma vez tivesse uma atitude mais intempestiva, mesmo que isso para qualquer ser humano perder a cabeça de vez em quando também seja normal, as frases que mais ouvia era: “tu não melhoraste nada! ” “Essa tua psicóloga não está te ajudando! ”, sendo que ninguém, nem quando eu era criança, adolescente ou adulta, sequer se importou se era um problema qualquer, mas eram os primeiros a criticar. Já meus pais, esses sim eu sei reconhecer que foram os pais que eles puderam, me ensinaram o que eles sabiam, muito tendo sido aprendido na escola da vida.
Eu quis melhorar como pessoa, quis crescer como ser humano, busquei meu autoconhecimento, minhas dores, minhas feridas, e isso doía, sim, às vezes muito. Eu tive que ir buscar na minha infância a origem de algumas dores, aprender a lidar com elas, nunca me escondi por trás da “ síndrome de Gabriela” para não tentar ser alguém melhor. Muitas pessoas se escondem por trás disso porque mudar dá trabalho, mudar dói, e é muito cômodo achar que alguém que está buscando tratamento é toxico por ter tido um comportamento minimamente humano, quando a própria pessoa não arreda um milímetro da sua opinião, nunca reconhece que está errado, não acha que vale a pena melhorar para a convivência no seu meio ser mais harmônica e por seu próprio crescimento pessoal.
Cada casa que a gente pula para alcançar na chegada desse tabuleiro da vida é tão gratificante, a gente se sente tão orgulhoso de si. Olhamos para trás, vemos o processo longo, doloroso, dias dificílimos de dores insuportáveis, de não conseguir sair da cama, de achar que aquilo era uma pré-morte, mas vemos o quanto caminhamos até ali.
Foi um processo rápido? Não foi. Pelo contrário, é lento e gradativo, tem que ter paciência e persistência, porque é melhor passar por tudo mas saber que existe logo mais na frente uma linha de chegada do que continuar com os mesmos problemas, as mesmas dores porque elas existem de qualquer maneira, você só não as encara de verdade e vive se escondendo atrás de uma carapaça e não experimenta sair da sua zona de conforto. Busque sempre se conhecer, suas melhoras, não se acomode dizendo que não tem mais idade para mudar, para melhorar, pois nunca é tarde para isso. O meu mantra é cada dia tentar ser uma pessoa melhor do que eu fui ontem.


Por: Nina


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