Falando
em toxicidade: várias pessoas podem ser tóxicas, disso a gente sabe. Vários
transtornos emocionais podem deixar uma pessoa com vários sintomas que são de
doenças e não uma simples irritabilidade, mudanças constantes de humor,
tristezas, ciclos depressivos, negatividade, etc. No entanto, ter esses
sentimentos por muitas semanas é sinal que se deve procurar apoio psicológico. Isso
é importante! Só é preciso estar aberto ao diagnóstico e disposto a se
comprometer ao tratamento, se propondo a melhorar como pessoa, por si mesmo e para
seu círculo familiar, talvez até de amizade.
Eu,
por exemplo, sei que algumas vezes sou tóxica com meus familiares. No passado
talvez com alguns conhecidos, e isso é algo que necessita coragem para assumir,
pois tem risco de virar um estereótipo, e aquela galera que costuma falar em
empatia e não tem nenhuma, te faz ganhar rótulo de mal-humorado, chato,
encrenqueiro.
Eu
passei por todos esses rótulos, mas pasmem, os meus, na grande maioria, vinham
da minha própria família. Nunca ninguém pensou ou sugeriu, nem quando adulta, que
eu procurasse apoio psicológico. Eu me auto avaliei e vi que tais
comportamentos não eram normais.
Meu
marido e filha, meus pais que hoje não estão mais aqui, e mesmo no alto de sua
“inocência”, - digo inocência pois na época deles não se falava tanto dessas
doenças - viram o quão toxica eu já fui, e ficava muito feliz em ouvir, mais da
minha mãe, porque meu pai era mais caladão, que eu tinha melhorado muito, mesmo
que meus irmãos sempre dissessem o contrário.
E se
eu uma vez tivesse uma atitude mais intempestiva, mesmo que isso para qualquer
ser humano perder a cabeça de vez em quando também seja normal, as frases que
mais ouvia era: “tu não melhoraste nada! ” “Essa tua psicóloga não está te ajudando!
”, sendo que ninguém, nem quando eu era criança, adolescente ou adulta, sequer
se importou se era um problema qualquer, mas eram os primeiros a criticar. Já
meus pais, esses sim eu sei reconhecer que foram os pais que eles puderam, me
ensinaram o que eles sabiam, muito tendo sido aprendido na escola da vida.
Eu
quis melhorar como pessoa, quis crescer como ser humano, busquei meu
autoconhecimento, minhas dores, minhas feridas, e isso doía, sim, às vezes
muito. Eu tive que ir buscar na minha infância a origem de algumas dores, aprender
a lidar com elas, nunca me escondi por trás da “ síndrome de Gabriela” para não
tentar ser alguém melhor. Muitas pessoas se escondem por trás disso porque
mudar dá trabalho, mudar dói, e é muito cômodo achar que alguém que está
buscando tratamento é toxico por ter tido um comportamento minimamente humano,
quando a própria pessoa não arreda um milímetro da sua opinião, nunca reconhece
que está errado, não acha que vale a pena melhorar para a convivência no seu
meio ser mais harmônica e por seu próprio crescimento pessoal.
Cada
casa que a gente pula para alcançar na chegada desse tabuleiro da vida é tão
gratificante, a gente se sente tão orgulhoso de si. Olhamos para trás, vemos o
processo longo, doloroso, dias dificílimos de dores insuportáveis, de não
conseguir sair da cama, de achar que aquilo era uma pré-morte, mas vemos o
quanto caminhamos até ali.
Foi um
processo rápido? Não foi. Pelo contrário, é lento e gradativo, tem que ter
paciência e persistência, porque é melhor passar por tudo mas saber que existe
logo mais na frente uma linha de chegada do que continuar com os mesmos
problemas, as mesmas dores porque elas existem de qualquer maneira, você só não
as encara de verdade e vive se escondendo atrás de uma carapaça e não experimenta
sair da sua zona de conforto. Busque sempre se conhecer, suas melhoras, não se acomode
dizendo que não tem mais idade para mudar, para melhorar, pois nunca é tarde para
isso. O meu mantra é cada dia tentar ser uma pessoa melhor do que eu fui ontem.

Nenhum comentário:
Postar um comentário