Claro que tem o agravante de fazer parte do grupo de risco,
mas também eu não me permito nem pela minha saúde mental sair para me divertir
enquanto as pessoas morrem. Penso que esse vírus não nos dá a tranquilidade de
achar que todo cuidado é o suficiente, de que eu não seria uma provável
disseminadora. Enfim, são mais motivos para pirar do que para relaxar. Pensar
ficar mais alguns meses assim não é legal, não é saudável, por que, na verdade,
precisamos estabelecer relações interpessoais, precisamos sair para espairecer
um pouco. É preciso. Mas eu estaria indo contra tudo que prego e acredito sobre
empatia e solidariedade. E toda essa situação faz com que a ansiedade chegue a
níveis estratosféricos e os problemas normais da vida que já fazem com que
fiquemos um pouco mais ansiosos, e passar todos os problemas da vida com um
vírus mortal, praticamente sem sair de casa. A pessoa fica com medo,
angustiada, com um misto de sensações, algo assim inexplicável. E pelo andar da
carruagem de vacinas no brasil a previsão de até o final do ano é uma
estimativa otimista diante dos atrasos, inoperância e falta de planejamento
para aquisição das vacinas. Enquanto vidas estão sendo perdidas a gente não
consegue ficar tranquila para agir de forma irresponsável, sem se importar com
o outro. Todos com o mínimo de bom senso e de empatia se importam com o próximo
e se cobra responsabilidade por nossas atitudes diante dessa pandemia. E
torcendo para que tudo passe o mais rápido possível e que possamos sair ilesos
de tudo isso. São tempos tão difíceis que nunca imaginei passar. Claro que
estou orgulhosa do meu desempenho até aqui, por que com meus problemas e chegar
até aqui e ainda com uma responsabilidade coletiva que talvez tenha me custado
caro, mas, ao mesmo tempo, me deixa feliz em saber que eu me importo com as
pessoas ao meu redor, e que de alguma forma estou fazendo a minha parte, e isso
já é um motivo de me sentir feliz, pois, algumas pessoas que podem até usar
como desculpa o fato de ser ansiosa, de sair para cuidar da saúde mental para
sair. Não que algumas pessoas realmente precisem, eu realmente acredito nisso.
Porém, estamos em um momento tão delicado com nova variante do vírus e um
aumento de casos não dá para ser egoísta e só pensar no nosso bel-prazer. É um
momento que temos que abdicar de algumas coisas para tentar fazer com que esse
vírus diminua a quantidade de contágios e possamos ter um pouco mais de
tranquilidade e que não se perca mais tantas vidas, o ideal seria nenhuma né?
Mas enquanto isso não é possível pela atual circunstância e isso requer
sacrifícios em deixar um pouco as coisas que gostamos de lado e torcer para
tudo passar logo.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2021
O medo da segunda onda
Quando pensamos que está tudo começando a melhorar, quando
nós como uma pessoa ansiosa começa aos poucos sentir coragem de sair, mesmo que
apenas em situações necessárias. Aí vem aqueles pensamentos de um ansioso de
imaginar o futuro. Tipo assim… poxa só no final do primeiro trimestre ou só no
segundo semestre terá vacina. E pensar que estar dez meses em quase completo
isolamento social, tendo saído pouquíssimas vezes de casa e ter tido contato
com outras pessoas que não eram da minha família.
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Hoje faz exatamente um mês e dois dias que escrevi a última matéria, depois de mais de um mês de uma crise depressiva intensa, isso sem fala...

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