sexta-feira, 20 de março de 2020

A PANDEMIA E AS DOENÇAS EMOCIONAIS




Eu, particularmente, estou lidando melhor do que esperava com a situação.  No primeiro momento quando chegou ao Brasil tive bastante medo. Quando percebi a irresponsabilidade do presidente da república, bateu um certo desespero por ver e saber que o nosso sistema de saúde normalmente já é precário e, se a situação piorasse seria um caos, ainda mais com as notícias que mostravam a situação ficando mais complicada pelo Brasil e em alguns países do mundo onde parecia cenas de guerra, e que na verdade é, contra um inimigo invisível.
Percebi que minha ansiedade começou a ficar bem elevada. E a ansiedade é conhecida por muitos como aquela sensação que temos quando vai a um primeiro encontro, apresentar um seminário ou o nosso TCC, mas não é! A ansiedade dependendo do seu grau pode trazer sintomas horríveis como falta de ar, sensação de peito preso, taquicardia, sudorese, sensação de mãos adormecidas e as vezes calafrios. Em alguns casos as pessoas acham que são normais, mas, na verdade, costumam ter alguns dos sintomas da ansiedade, que são o mal humor, irritabilidade, medo, pensamentos catastróficos, preocupações excessivas e tem algumas doenças mais graves como TOC, síndrome do pânico e outras que vem de uma ansiedade num nível extremo e muitas vezes provenientes de traumas ou por conviver com a ansiedade por muito tempo sem se cuidar.
Agora, imagine uma pessoa com ansiedade tentando se manter sã em meio dessa pandemia. Quando houve o anúncio do primeiro caso em Belém, pareceu que o fim do mundo estava perto e eu estava me sentindo mais deprimida, parecendo que fui para outro extremo das minhas emoções. Comecei então a ficar extremamente irritada, com medo, explodia por qualquer motivo. Quem não conhece a realidade de um ansioso pensa que essa é a natureza da pessoa e se os psicólogos e psiquiatras estão nesse momento falando muito em saúde mental por termos que ficar em isolamento, imagine para nós que é como se tivéssemos prevendo uma tragédia.  Claro que a condição no país possa nos fazer chegar nem perto disso, mas na nossa cabeça o medo é que seja sempre o pior. Isso não tem a ver com pensar positivo ou não, é a doença pura, porque tentar manter pensamentos positivos, otimismo é o que mais as pessoas ansiosas fazem é uma luta diária, quase constante, desgastante que nos deixa sem energia. Entretanto, confesso que depois de alguns anos de terapia, já melhorei, e muito, nesses sintomas. Em alguns momentos nem eu me suportava. Claro que meu comportamento diante da pandemia sofrendo com a ansiedade e a depressão juntas, penso que estou me adaptando bem melhor do que esperava. É evidente que em alguns momentos bate uma depressãozinha, outra hora uma ansiedade bem forte e nesse período é a ansiedade que vem prevalecendo. Mas, as vezes começamos a ter medo do pior, temos que manter a esperança, a fé (os que creem como eu) e seguir as recomendações de prevenção, seguir os protocolos de segurança para evitar o contágio.
Queria que as pessoas que estão em casa com doenças emocionais, ou não, que procurem se distrair, não ficarem só procurando os noticiários o dia todo, no máximo uma vez ao dia, pois as notícias vão sempre aparecer e as medidas que devemos usar para nos proteger são conhecidas por nós.  Aproveitem a família façam coisas juntos, acertem os ponteiros com quem precisar, conversem, se enxerguem, deem amor e atenção aos seus familiares e a quem possa precisar de ajuda nesse momento, pois é a única coisa boa que toda essa doença trouxe foi a oportunidade de estreitarmos os laços, de vermos que não somos nada diante da vida e essas pequenas atitudes que as vezes não são possíveis de acontecer por uma rotina corrida, egoísmo e orgulho com as pessoas que amamos. É um momento de fazermos as coisas em casa que sempre deixamos para depois ou que nunca fazemos por preguiça, falta de vontade, que possamos valorizar as pequenas coisas. Limpezas são importantíssimas sempre e principalmente nesse período desse surto de corona vírus. Acho que também é uma ótima oportunidade para o autoconhecimento, muitas vezes para buscarmos nossas melhoras e crescer, sempre buscando todos os dias sermos pessoas melhores ao dia anterior. Teremos muito tempo para refletirmos sobre tudo que devemos melhorar.                                  

Por Nina

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